PORTUGAL: DA REALIDADE À EUFORIA E DE VOLTA À REALIDADE
Muito comentadores referem-se a Roberto Martinez como um politico e não tanto como um treinador de futebol. E no fim do jogo contra a Colombia, deu mais uma vez, razão a quem se refere a ele como tal.
Os políticos focam-se na persuasão e na gestão de perceções. O discurso político é uma ferramenta de conquista e manutenção de poder, desenhada para mobilizar o eleitorado, gerir expectativas e evitar penalizações eleitorais, o que nem sempre coincide com a transparência nua e crua dos problemas.
E não tem sido isso que Roberto Martinez tem feito? O discurso após o jogo não podia estar mais desfasado da verdade e da realidade do jogo. Dizer que fizemos um "jogo fantástico" que ficou "muito satisfeito com a intensidade defensiva" quando permitimos que o adversário chutasse à nossa baliza por 24 ocasiões. Mas o que ele quis dizer com "intensidade defensiva"? Talvez alguém da equipa técnica que tenha fornecido os dados estatísticos de GPS, onde mostraria que os jogadores de Portugal correram mais que os da Colombia? Não sabemos. A cereja no topo do bolo foi dizer que "Cristiano Ronaldo esteve bem". Para dizer isso baseou-se em que? No discurso politico concerteza.
Mas vamos a factos:
Na 1ª imagem observamos a selecção portuguesa em processo defensivo e vemos os jogadores conectados por sectores. Julgo que o objectivo táctico passa por marcar os adversário HxH. O primeiro problema começa precisamente aí. Como vamos marcar HxH se temos um jogador como o Ronaldo que não tem capacidade para o fazer? Nem o deve fazer na minha modesta opinião. Ou seja marcamos HxH e já estamos a deixar 2 jogadores livres, o Gr adversário + 1 dos defesas centrais. Mas se é para o fazer o Ronaldo devia estar perto do central Colombiano que está sobre o corredor esquerdo. Por aí a bola já não circulava e condicionava o jogo do adversário. Ou procuram o jogo interior para variar o centro do jogo, ou arriscam um passe longo para o lateral esquerdo ou jogam pelo corredor direito. No entanto com o posicionamento do Ronaldo facilmente a bola entra no Gr e este pode faze-la circular pelo central do lado esquerdo de forma mais segura.
Relativamente ao nosso processo ofensivo, poucas vezes conseguimos colocar a bola entre linhas nos pés de Bruno Fernandes para que ele pudesse virar-se para a baliza adversária, nas costas dos dois médios da Colombia e combinar com os avançados ou rematar à baliza.
Na imagem abaixo, embora o Vitinha, na minha opinião esteja mal colocado, já que foi pedir a bola em cima do Rúben Dias, a equipa apresenta uma estrutura ofensiva equilibrada que lhe permitiu colocar a bola no Bruno Fernandes, entre linhas e nas costas do dois médios adversários. Largura a ser dada pelos dois extremos, com Rúben Neves e Bruno Fernandes nos espaços vazios, nas costas dos dois médios e entre médio e extremo da Colombia. Os laterais neste caso estão a dar a dupla largura ao jogo da nossa selecção.
Passe de Rúben Dias para Bruno Fernandes a quebrar linhas dos adversários, Bruno Fernandes joga na largura em Félix e este com um bom cruzamento ao segundo poste.
No entanto muito pouco para a qualidade individual dos nossos jogadores.
Resumindo: jogo "dificil" de ver já que são tantos os erros defensivos e ofensivos que daria para escrever um livro de como não jogar futebol ao mais alto nível.
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